Mantenha-se atualizado com as notícias mais importantes.

Ao clicar no botão "Inscrever-se", você confirma que leu e concorda com nossa Política de Privacidade e Termos de Uso.
Contato

Mau cheiro e peixes mortos no Açude Velho: o que a prefeitura deveria fazer

Mau cheiro e peixes mortos no Açude Velho voltaram a chamar a atenção da população de Campina Grande. Mau cheiro e peixes mortos no Açude Velho voltaram a chamar a atenção da população de Campina Grande.
Vídeos que circulam nas redes sociais e em grupos de WhatsApp mostram diversos peixes mortos.

O mau cheiro e peixes mortos no Açude Velho voltaram a chamar a atenção da população de Campina Grande nos últimos dias. Vídeos que circulam nas redes sociais e em grupos de WhatsApp mostram diversos peixes mortos, além da água escura e do forte odor que se espalha pela área. Diante disso, moradores cobram providências do poder público para enfrentar um problema que já se arrasta há vários dias.

Atualmente, não há informações oficiais sobre quais medidas a Prefeitura de Campina Grande pretende adotar para melhorar as condições hídricas do Açude Velho. Por esse motivo, esta matéria tem como objetivo denunciar a situação e, ao mesmo tempo, apresentar soluções técnicas viáveis, apontadas por especialistas da área ambiental.

Vídeo mostra milhares de peixes mortos. População reclama do mau cheiro e da cor da água.

Falta de oxigênio explica mau cheiro e mortandade de peixes

Em conversa com a engenheira ambiental Camila Oliveira, que reside em Campina Grande e desenvolve pesquisas na área de recursos hídricos, a explicação para o cenário atual é clara. Segundo ela, a mortandade dos peixes e o mau cheiro estão diretamente ligados à falta de oxigênio dissolvido na água.

Publicidade

De acordo com a especialista, o principal fator é o lançamento direto de esgoto doméstico sem tratamento no Açude Velho. Esse processo consome o oxigênio disponível, inviabilizando a sobrevivência dos peixes, que precisam de cerca de 6 mg de oxigênio por litro de água.

Além disso, quando o oxigênio se esgota, bactérias anaeróbicas passam a dominar o ambiente. Consequentemente, essas bactérias liberam compostos à base de enxofre, responsáveis pelo odor forte semelhante a ovo podre, percebido pela população.

Aeradores são solução técnica, mas têm alto custo

Entre as soluções possíveis, Camila explica que a instalação de aeradores poderia aumentar rapidamente o oxigênio dissolvido na água. Dessa forma, seria possível reduzir o mau cheiro e evitar novas mortes de peixes.

No entanto, essa alternativa apresenta alto custo, pois exige consumo contínuo de energia elétrica e manutenção frequente. Além disso, sem interromper o lançamento de esgoto, o problema tende a se repetir, mesmo com a reoxigenação artificial.

Solução baseada na natureza pode ser mais barata e igualmente eficiente

Por outro lado, a engenheira ambiental destaca soluções baseadas na natureza, consideradas mais sustentáveis e acessíveis. Uma delas é o uso de plantas aquáticas macrófitas, capazes de absorver nutrientes como nitrogênio e fósforo, presentes nos esgotos domésticos.

Entre as espécies citadas, está a cana-da-índia, que possui raízes profundas e alta capacidade de absorção. As plantas podem ser instaladas em ilhas flutuantes, distribuídas principalmente nas áreas onde o esgoto entra no Açude Velho.

Questionada sobre o impacto no odor, Camila afirma que as plantas ajudam diretamente a eliminar o mau cheiro. Isso ocorre porque, ao aumentar o oxigênio disponível, o ambiente deixa de favorecer bactérias anaeróbicas, responsáveis pelos gases.

Além disso, a especialista lembra que essa estratégia já foi adotada com sucesso, como na Raia Olímpica da USP, em São Paulo. O processo é conhecido tecnicamente como fitorremediação, estudado há décadas em diversos países.

Soluções como essa, chamadas de SBN (Soluções Baseadas na Natureza), já foram testadas em teses da UFCG por Elis Gean Rocha e Diva Araújo Neta, na Estação de Tratamento de Esgoto do Glória, e comprovam a eficiência dessas ilhas aqui no contexto ambiental do semiárido brasileiro.

Benefícios ambientais, estéticos e sociais

Além da recuperação ambiental, as ilhas flutuantes podem gerar ganhos estéticos e sociais. Produzidas com materiais recicláveis, elas podem criar empregos, gerar renda e transformar o Açude Velho em um espaço visualmente mais agradável.

Por fim, especialistas reforçam: ou o município interrompe o lançamento de esgoto no Açude Velho, ou adota soluções estruturais e baseadas na natureza. Sem isso, o problema tende a se repetir, afetando o meio ambiente, a saúde pública e um dos principais cartões-postais de Campina Grande.

Adicionar um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Mantenha-se atualizado com as notícias mais importantes.

Ao clicar no botão "Inscrever-se", você confirma que leu e concorda com nossa Política de Privacidade e Termos de Uso.