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Desmatamento na Amazônia cai 36,87% e atinge menor nível desde 2016

Desmatamento na Amazônia cai 36,87% entre agosto de 2025 e julho de 2026 e registra menor nível desde o início da série histórica.

O desmatamento na Amazônia caiu 36,87% entre agosto de 2025 e julho de 2026. No período, o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) identificou 2.874,38 km² de área sob alerta.

Esse é o menor índice registrado desde 2016, quando começou a série histórica do sistema. No ciclo anterior, o Deter havia registrado 4.495 km² de área sob alerta.

Além disso, o resultado ficou 55,6% abaixo da média dos últimos dez ciclos. O período considerado vai de 2015/2016 a 2025/2026.

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Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (7) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, São Paulo. A apresentação ocorreu durante as comemorações pelos 65 anos do instituto.

Desmatamento também cai no Cerrado

O Deter também registrou redução do desmatamento no Cerrado. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, o sistema identificou 5.119,46 km² de área sob alerta.

O resultado representa uma queda de 7,8% em relação ao ciclo anterior.

Diferentemente da Amazônia, grande parte das áreas do Cerrado está localizada em propriedades privadas. O Deter utiliza imagens de satélite para identificar mudanças na cobertura vegetal.

Assim, os alertas ajudam os órgãos ambientais a localizar áreas que podem estar sofrendo desmatamento. Com essas informações, as equipes conseguem agir com maior rapidez.

Pará concentra maior área sob alerta

Entre os estados da Amazônia Legal, o Pará registrou a maior área sob alerta. Foram 987,27 km² no período analisado.

Em seguida aparecem Mato Grosso, com 834,41 km², e Amazonas, com 433,9 km². Roraima registrou 272,6 km², enquanto Acre e Rondônia tiveram 153,8 km² e 114,3 km², respectivamente.

Na comparação com o ciclo anterior, o Mato Grosso apresentou a maior redução, com queda de 49%. O Amazonas teve redução de 46,7%.

Já Rondônia registrou queda de 41,2%. No Acre, a redução chegou a 35,3%. No Pará, os alertas diminuíram 25,5%.

Roraima apresentou um movimento diferente. No estado, a área sob alerta aumentou 32,5%.

Desmatamento cai em todos os biomas

Os dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes) também apontam uma redução do desmatamento no país.

Em 2025, a queda foi de 20,1% em relação ao ano anterior. Além disso, todos os biomas brasileiros registraram redução.

O Pantanal apresentou a maior queda, com 65,4%. Na sequência, o Pampa registrou redução de 41,7%.

Na Caatinga, o desmatamento caiu 34,3%. Na Amazônia, a redução foi de 15,8%. Já no Cerrado, a queda chegou a 11,5%.

O Prodes calcula a taxa anual consolidada de desmatamento. Por isso, o sistema é usado como referência oficial para acompanhar a perda de vegetação no país.

Lula cita dados durante evento

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da apresentação dos dados do Inpe. Durante o evento, ele relacionou a redução do desmatamento às críticas feitas pelos Estados Unidos ao Brasil.

Lula afirmou que os Estados Unidos usaram a questão ambiental como uma das justificativas para impor tarifas adicionais sobre produtos brasileiros.

O presidente também brincou ao dizer que pretendia enviar ao presidente norte-americano Donald Trump uma fotografia com os dados apresentados pelo Inpe.

“Agora, em cada correspondência que a gente mandar para os Estados Unidos, a gente manda os dados do Inpe”, afirmou Lula.

Segundo o presidente, o Brasil deve utilizar os resultados para mostrar os esforços do país no combate às mudanças climáticas.

Entidades avaliam resultado

O Observatório do Clima comemorou os números divulgados pelo Inpe. Para a entidade, os dados mostram que o Brasil pode avançar na redução do desmatamento.

Segundo Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, os resultados demonstram que é possível cumprir a meta de zerar e reverter o desmatamento até 2030.

O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) também avaliou os dados de forma positiva.

A diretora de Ciência do instituto, Ane Alencar, afirmou que os números indicam uma consolidação da queda do desmatamento na Amazônia.

Para ela, o resultado mostra que o país pode manter uma trajetória de redução até alcançar o desmatamento zero. A avaliação considera, inclusive, os impactos de fatores como as mudanças climáticas e o El Niño.

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