A situação da saúde pública de Campina Grande voltou ao centro do debate nesta terça-feira (3). Agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes de combate às endemias (ACE) realizaram um protesto na Câmara Municipal para denunciar cortes de direitos, atraso no pagamento de salários e declarações atribuídas à gestão municipal.
Os trabalhadores atuam diretamente na atenção básica e na prevenção de doenças. Segundo a categoria, os problemas se acumulam desde o ano passado, sem que a Prefeitura apresente respostas efetivas ou medidas concretas para resolver a situação.
Categoria reage a cortes e ameaça ao PCCR
Durante a mobilização, o presidente do Sindras-PB, Giovanni Freire, afirmou que os agentes seguem organizados para barrar retrocessos no Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR). Para o sindicato, qualquer tentativa de alteração representa perda de direitos e desvalorização profissional.
Giovanni também criticou uma fala atribuída ao secretário municipal de Finanças, que teria classificado os agentes como “uma turma que gasta muito”. Segundo o dirigente sindical, a declaração ignora o papel estratégico da prevenção, que reduz internações e evita gastos maiores no sistema de saúde.
Atraso salarial contraria versão oficial
Outro ponto que motivou o protesto foi o atraso no pagamento dos salários referentes ao mês de janeiro. De acordo com o Sindras-PB, até o dia 3 de fevereiro os valores ainda não haviam sido creditados, apesar de uma nota oficial da Secretaria Municipal de Saúde afirmar o contrário.
Os agentes destacam que o atraso afeta diretamente a renda das famílias e compromete o trabalho nas comunidades. Mesmo assim, a gestão municipal não apresentou um calendário oficial para regularizar os pagamentos.
Oposição se soma à mobilização
O protesto contou com a presença de vereadores da oposição ao prefeito Bruno Cunha Lima, entre eles Jô Oliveira, Aninha, Valéria Aragão, Pimentel e Wellington Cobra. Durante o ato, Jô Oliveira ressaltou que a mobilização dos trabalhadores tem gerado desconforto na base governista.
A parlamentar afirmou que a pressão popular já foi decisiva para impedir votações prejudiciais à classe trabalhadora. Segundo ela, a organização e a ocupação dos espaços públicos seguem sendo instrumentos fundamentais de defesa de direitos.
Crise na saúde segue sem respostas
A manifestação expôs mais um episódio da crise enfrentada pela saúde pública de Campina Grande. Cortes, atrasos salariais e falta de diálogo formam um cenário que, segundo os agentes, penaliza principalmente a população mais vulnerável.
Os trabalhadores afirmam que permanecerão mobilizados até que a Prefeitura apresente soluções concretas, respeite a categoria e garanta condições adequadas para o funcionamento da atenção básica no município.