Daniel Vorcaro preso pela PF é o novo capítulo de uma crise que mistura sistema financeiro, política e investigação criminal. Dono e principal controlador do Banco Master, liquidado em novembro do ano passado pelo Banco Central do Brasil, o empresário foi detido nesta quarta-feira (4), em São Paulo, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero.
A operação é conduzida pela Polícia Federal e apura suspeitas de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos. Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, que também autorizou bloqueio e sequestro de bens que podem chegar a R$ 22 bilhões.
A crise e a liquidação do Banco Master
A prisão ocorre após a liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central. Desde 2024, a instituição era investigada por emitir CDBs com juros acima do mercado para captar recursos e estruturar carteiras de crédito consideradas inconsistentes.
Segundo as investigações, parte dos valores teria sido aplicada em ativos inexistentes ou de baixa qualidade. Além disso, novos recursos teriam sido utilizados para pagar investidores antigos, em um modelo considerado financeiramente insustentável.
Tentativas de venda do banco fracassaram, inclusive negociações com o Banco de Brasília. Com a liquidação, clientes foram ressarcidos pelo Fundo Garantidor de Créditos até o limite legal.
Ligação com o Atlético Mineiro e apuração sobre recursos
Daniel Vorcaro também é acionista da SAF do Clube Atlético Mineiro. Ele detém 20,2% da Sociedade Anônima do Futebol por meio do fundo Galo Forte FIP. A origem dos recursos utilizados na operação também é alvo de apuração, inclusive quanto a possível ligação com organização criminosa.
Representação contra Nikolas Ferreira
O caso ganhou novo desdobramento político após os deputados Lindbergh Farias e Rogério Correia protocolarem representação criminal eleitoral na Procuradoria-Geral Eleitoral contra o deputado Nikolas Ferreira.
O pedido questiona o uso, no segundo turno das eleições de 2022, de um avião executivo associado a Vorcaro em agendas de apoio ao então presidente Jair Bolsonaro.
Os parlamentares argumentam que o deslocamento interestadual em aeronave privada para fins eleitorais deveria constar na prestação de contas como despesa de campanha ou como doação estimável em dinheiro.
Doações milionárias e prisão de cunhado
Outro elo investigado envolve Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, que também foi alvo da operação. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, ele doou R$ 3 milhões para Bolsonaro e R$ 2 milhões para o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, nas eleições de 2022.
No total, Bolsonaro recebeu R$ 126,1 milhões líquidos na campanha, sendo que Zettel figurou entre os maiores doadores individuais.
Impacto político e próximos passos
A prisão de Daniel Vorcaro amplia o impacto da Operação Compliance Zero no cenário político nacional. Embora ainda não haja condenações relacionadas aos parlamentares citados, o cruzamento de dados financeiros e eleitorais aumenta a pressão institucional.
A Polícia Federal segue com diligências, enquanto o STF monitora o cumprimento das medidas cautelares. O caso envolve sistema financeiro, financiamento eleitoral e possível uso de estrutura privada em campanhas políticas.
O desdobramento das investigações poderá redefinir responsabilidades criminais, eleitorais e administrativas nos próximos meses.