Governo alerta para tráfico de brasileiros no Sudeste Asiático, região que tem concentrado os principais casos de exploração laboral envolvendo cidadãos do Brasil. O aviso foi emitido pelo Itamaraty, que aponta países como Tailândia, Camboja, Vietnã e Mianmar como destinos recorrentes de golpes relacionados a falsas ofertas de emprego.
Falsas promessas de trabalho são principal armadilha
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, brasileiros têm sido aliciados principalmente por meio das redes sociais. Em geral, os golpistas oferecem empregos supostamente ligados a empresas de tecnologia ou call centers, com salários elevados, contratação rápida e benefícios atrativos.
Além disso, passagens aéreas e hospedagem costumam ser incluídas na proposta. No entanto, ao chegarem ao destino, as vítimas descobrem que tudo se trata de um esquema de tráfico internacional de pessoas.
Jovens com perfil digital estão entre os mais visados
De acordo com a cartilha divulgada pelo Itamaraty, em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Defensoria Pública da União, a maioria das vítimas é formada por jovens com conhecimentos em informática.
Esse perfil é alvo preferencial de organizações criminosas que operam golpes virtuais, fraudes financeiras, esquemas com criptomoedas e jogos de azar online, principalmente em países do Sudeste Asiático.
Condições de trabalho incluem violência e privação de liberdade
Ao desembarcarem em países como Camboja e Mianmar, muitos brasileiros têm os passaportes confiscados e passam a viver sob vigilância constante.
Além disso, as vítimas enfrentam jornadas exaustivas, restrição de liberdade, ameaças, agressões físicas e psicológicas. Em diversos casos, quem não atinge metas impostas pelos criminosos sofre punições severas.
Caso recente expôs a gravidade da situação
Em 2024, dois brasileiros conseguiram escapar de um grupo criminoso que atuava na região de Myawaddy, área marcada por conflito armado. Eles haviam aceitado uma proposta de trabalho com promessa de estabilidade financeira.
Após conseguirem fugir pela fronteira com a Tailândia, receberam apoio consular em Bangkok. O Itamaraty atuou diretamente para garantir a repatriação dos dois ao Brasil.
Itamaraty orienta como evitar o tráfico internacional
Diante do aumento dos casos, o Itamaraty recomenda que brasileiros não aceitem propostas de emprego que prometam ganhos fáceis, intermediação informal ou contratação sem vínculo claro com empresas reconhecidas.
Além disso, o órgão orienta que qualquer cidadão que se sinta ameaçado ou esteja em situação que caracterize tráfico humano procure imediatamente a embaixada ou consulado brasileiro mais próximo.
Repatriação só ocorre em situações excepcionais
O governo federal esclarece que, como regra, o retorno ao Brasil deve ser custeado pelo próprio cidadão. A repatriação paga pelo Estado ocorre apenas em situações excepcionais, quando há comprovação de vulnerabilidade extrema e disponibilidade orçamentária.
Mesmo nesses casos, o deslocamento é garantido apenas até o primeiro ponto de entrada no território nacional.
Atendimento consular é fundamental em emergências
O Sudeste Asiático conta com embaixadas brasileiras na Tailândia, no Camboja e no Mianmar. Situações de tráfico humano, violência, desaparecimento, prisão, conflitos armados ou crises humanitárias são tratadas como emergência consular.
O Itamaraty reforça que a prevenção ainda é o melhor caminho. Desconfiar de promessas fáceis pode salvar vidas.
Fonte: Agência Brasil