Moradores de Campina Grande denunciam o agravamento da crise na saúde pública municipal, marcada pela falta de assistência médica, escassez de medicamentos, interrupção de atendimentos básicos e abandono de pacientes em situação de vulnerabilidade. Os relatos apontam falhas graves na atuação da Secretaria Municipal de Saúde e da Prefeitura, especialmente no atendimento realizado por Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e equipes da Atenção Primária.
No bairro do Tambor, a situação tem gerado revolta e preocupação entre os moradores. A população da região depende de uma UBS vinculada ao bairro do Catolé para receber atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, segundo os relatos, a unidade enfrenta falta recorrente de medicamentos, insumos e equipes suficientes para atender a demanda local.
A moradora Maynara Santos relata casos graves envolvendo idosos que dependem diretamente da assistência domiciliar prestada pelo SUS. Um dos casos envolve uma idosa de 95 anos, acamada e sob os cuidados da família, que necessita de acompanhamento frequente de enfermeiros e médicos, incluindo troca de curativos e sondas. Segundo a denúncia, a família não tem recebido o suporte necessário, o que compromete a qualidade de vida da paciente e sobrecarrega familiares com poucos recursos financeiros.
Assista a denúncia completa no perfil de Maynara Santos.
Outro caso citado por Maynara envolve um idoso que deveria ter a sonda trocada mensalmente, conforme orientação médica. No entanto, a troca deixou de ser realizada por meses. A última substituição havia ocorrido em outubro do ano passado e só foi feita novamente em janeiro deste ano. Nesse intervalo, o paciente desenvolveu uma infecção grave, chegou a urinar sangue e precisou ser internado, permanecendo hospitalizado até o momento.
De acordo com a moradora, a falta de assistência se agravou durante o período de férias de profissionais da UBS, quando os atendimentos domiciliares simplesmente deixaram de ser realizados.
A crise na saúde não se limita ao bairro do Tambor. Em outras regiões da cidade, a situação também é crítica. No bairro do Araxá, por exemplo, moradores ficaram sem atendimento após o fechamento da UBS local, que funcionava em um imóvel alugado. Segundo denúncias, a Prefeitura deixou de pagar o aluguel e a proprietária retomou o imóvel, deixando a população sem qualquer ponto de referência para atendimento básico de saúde.
Além da precariedade estrutural, servidores da saúde também enfrentam atrasos salariais, com profissionais relatando meses sem receber pagamento. A combinação de falta de recursos, desvalorização dos trabalhadores e ausência de planejamento tem impactado diretamente a população que mais depende do SUS.
Para os moradores, o cenário representa um verdadeiro desmonte da saúde pública em Campina Grande. Maynara Santos faz um apelo para que a população denuncie, compartilhe os casos e cobre respostas da Prefeitura, do prefeito Bruno Cunha Lima e da Secretaria Municipal de Saúde.
A população cobra medidas urgentes e afirma que, sem pressão social e mobilização, a situação tende a se agravar ainda mais. Até o momento, não houve resposta efetiva do poder público sobre os casos denunciados.
Espaço aberto para eventuais pronunciamentos da PMCG.