Áudios obtidos pela investigação da Operação Perfídus revelam que o delegado preso por suspeita de integrar um esquema de desvio de drogas na Polícia Civil da Paraíba, orientou um escrivão a registrar um boletim de ocorrência com informações falsas sobre uma apreensão de entorpecentes. Segundo a Polícia Civil, o documento teria reduzido em aproximadamente 98,5 kg a quantidade de droga oficialmente registrada.
De acordo com a investigação da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), a apreensão ocorreu em 11 de outubro de 2025, mas o delegado determinou que o registro fosse feito apenas em 17 de outubro, alterando também os dados da ocorrência.
Nos áudios, o delegado conversa com um escrivão identificado pelo apelido de “Quinze” e orienta como deveria ser elaborado o procedimento. Ele afirma que os investigadores “Mão Branca” e “Bomba”, também presos na operação, levariam a droga à delegacia dias depois para formalizar a apreensão.
Segundo a Draco, a perícia realizada no celular do delegado recuperou fotografias apagadas que o colocam no imóvel onde a droga estava armazenada ainda no dia da apreensão. As imagens continham registros de data, horário e geolocalização e mostrariam diversos pacotes de entorpecentes em um quarto da residência.
A investigação afirma que, com base nas fotografias, nos dados de GPS da viatura e em outros elementos, o delegado participou da retirada da droga do imóvel e da distribuição do material entre os envolvidos, sem que houvesse qualquer registro oficial da operação naquele momento.
No boletim de ocorrência, porém, foram registrados apenas 1,5 kg de drogas. Conforme a Polícia Civil, as imagens analisadas indicam que havia mais de 100 kg de entorpecentes no local. A estimativa considera a quantidade de pacotes identificados nas fotografias, já que cada um costuma conter, no mínimo, um quilo de droga.
Para os investigadores, a diferença entre a quantidade efetivamente apreendida e a oficialmente registrada reforça a suspeita de desvio de entorpecentes por parte do grupo investigado.
A defesa de Braz Morroni não se manifestou sobre o conteúdo dos áudios até a última atualização do caso. As defesas dos agentes envolvidos não foram localizadas.
A Operação Perfídus foi deflagrada após uma investigação iniciada em fevereiro de 2025, motivada pela denúncia de um traficante que relatou o suposto desvio de drogas apreendidas por policiais civis. Segundo a Polícia Civil, o esquema investigado teria movimentado cerca de R$ 10 milhões em quatro anos. Oito dos nove mandados de prisão expedidos pela Justiça já foram cumpridos.
