O Caso Dani Elô teve um novo desdobramento nesta semana. A Polícia Civil da Paraíba concluiu o inquérito que investigava a morte de Maria Danielle Cristina Morais Sousa, conhecida como Dani Elô, e de seu filho Davi Elô, ocorridas após atendimento no Instituto de Saúde Elpídio Almeida (ISEA), em Campina Grande.
Ao final das investigações, a Polícia Civil decidiu indiciar seis profissionais de saúde, quatro médicos obstetras e duas enfermeiras, pelos crimes previstos nos artigos 125 e 127 do Código Penal, relacionados ao aborto provocado por terceiro e sua forma qualificada.
O Caso Dani Elô mobilizou familiares, movimentos sociais e a população de Campina Grande desde março de 2025, quando Danielle perdeu o bebê durante o trabalho de parto e faleceu 25 dias depois em decorrência de complicações médicas.
Polícia aponta omissão, negligência e imprudência
De acordo com a investigação, Danielle apresentava uma gravidez considerada de alto risco e precisava de acompanhamento especializado durante o parto.
Segundo a Polícia Civil, a equipe responsável pelo atendimento teria agido de forma omissiva, negligente e imprudente diante do quadro clínico da paciente.
Os investigadores identificaram falhas na condução do parto, demora na adoção de medidas adequadas, ausência de progressão assistida e utilização inadequada de procedimentos médicos.
Além disso, testemunhos e elementos reunidos durante a apuração apontam indícios de violência verbal e psicológica contra Danielle durante o atendimento hospitalar.
O Caso Dani Elô contou com a análise de prontuários médicos, documentos do pré-natal, laudos periciais, relatórios técnicos e depoimentos de testemunhas, profissionais envolvidos e familiares.
Perícia concluiu que bebê poderia ter sido salvo
Os laudos produzidos durante a investigação indicaram que uma intervenção cirúrgica realizada no momento adequado poderia ter preservado a vida do bebê Davi.
Segundo os peritos, o óbito fetal ocorreu em consequência de uma ruptura uterina associada à condução do parto.
Para a Polícia Civil, os elementos reunidos demonstram que o desfecho poderia ter sido diferente caso as medidas médicas necessárias fossem adotadas dentro do tempo considerado adequado.
Por isso, o Caso Dani Elô foi enquadrado como crime de aborto provocado por terceiro na forma majorada.
Morte de Danielle ocorreu semanas depois
Em relação à morte de Danielle, registrada 25 dias após o parto, os exames periciais apontaram a existência de uma condição genética preexistente.
Entretanto, segundo os laudos, essa condição foi agravada pelas complicações enfrentadas durante o atendimento médico.
A investigação concluiu que os profissionais que participaram da cirurgia de emergência realizada posteriormente não cometeram irregularidades. De acordo com a Polícia Civil, a equipe atuou na tentativa de preservar a vida da paciente.
Caso segue para Justiça e Ministério Público
Com a conclusão do inquérito, o Caso Dani Elô foi encaminhado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público da Paraíba, que agora irão analisar as provas reunidas e decidir sobre o oferecimento de denúncia criminal.
A Polícia Civil também solicitou a remessa do processo para uma das Varas do Tribunal do Júri da Comarca de Campina Grande.
Família diz confiar na investigação
Marido de Danielle e pai do bebê Davi, Jorge Elô afirmou que recebeu a conclusão do inquérito com sentimento de alívio, mas destacou que a busca por justiça continua.
“Depois de quase 500 dias, é um alívio, mas com a clareza que é apenas um primeiro passo. Eu confio no trabalho da Polícia Civil e tenho certeza de que o inquérito foi feito com muita responsabilidade. Também sei que a luta ainda vai ser grande, mas estaremos firmes até o final”, declarou.
O Caso Dani Elô se tornou um dos episódios de maior repercussão na saúde pública de Campina Grande e segue sendo acompanhado por familiares, entidades e movimentos que cobram responsabilização pelos fatos apontados na investigação.
