O protagonismo nas quadrilhas juninas ganhou destaque em uma pesquisa inédita divulgada nesta quinta-feira (5), durante evento realizado no SESI Museu Digital, em Campina Grande. O levantamento foi desenvolvido pelo YouTube em parceria com a Quaest e revelou como mulheres e integrantes da comunidade LGBTQIAPN+ ocupam posições centrais na organização, produção e fortalecimento do movimento junino em todo o Brasil.
O encontro reuniu importantes lideranças políticas, empresariais e culturais. Entre os participantes estavam o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, o presidente da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba, Cassiano Pascoal Pereira, e a vereadora Jô Oliveira, além de representantes de quadrilhas juninas e agentes culturais.
Pesquisa mostra transformação das quadrilhas em grandes espetáculos
O estudo ouviu lideranças de quadrilhas juninas de diferentes estados brasileiros entre os dias 8 e 21 de maio. Além das entrevistas, a pesquisa utilizou mapeamento territorial e análise de redes sociais para compreender o impacto social, econômico e cultural desses grupos.
Os resultados apontam que as quadrilhas juninas passaram por uma forte transformação estética nas últimas décadas. Atualmente, os grupos produzem espetáculos complexos, impulsionados principalmente pelos concursos e festivais. Ainda assim, mantêm viva a função comunitária que marcou a origem desse movimento cultural.
Além disso, o levantamento destaca que as quadrilhas movimentam redes sociais, geram empregos temporários, fortalecem economias locais e funcionam como espaços permanentes de formação artística.
Mulheres ocupam papel de liderança nas quadrilhas juninas
Um dos principais destaques da pesquisa foi a presença feminina na condução dos grupos juninos.
Segundo o levantamento, as mulheres exercem funções estratégicas em praticamente todas as etapas de organização das quadrilhas. Elas atuam na presidência das entidades, na gestão financeira, na direção artística e também na produção de figurinos e cenários.
Em Campina Grande, por exemplo, seis das 14 quadrilhas pesquisadas são presididas por mulheres, demonstrando a força feminina dentro do movimento.
Dessa forma, o estudo reforça que o protagonismo nas quadrilhas juninas passa diretamente pela atuação das mulheres, responsáveis por liderar projetos culturais que mobilizam centenas de participantes durante todo o ano.
Comunidade LGBTQIAPN+ lidera inovação e criação artística
Outro ponto central da pesquisa é o papel desempenhado pela comunidade LGBTQIAPN+ dentro das quadrilhas juninas.
O levantamento mostra que integrantes da comunidade ocupam posições de destaque principalmente nos grupos mais profissionalizados. Eles atuam como coreógrafos, diretores artísticos, produtores culturais, figurinistas e coordenadores de espetáculos.
Além disso, a pesquisa aponta que as quadrilhas funcionam como espaços de acolhimento, pertencimento e inclusão social. Por isso, muitos participantes enxergam esses grupos como ambientes seguros para desenvolver talentos artísticos e construir redes de apoio.
Consequentemente, a presença da população LGBTQIAPN+ tem contribuído diretamente para a renovação estética dos espetáculos e para a ampliação da diversidade dentro da cultura popular brasileira.
Campina Grande ganha destaque nacional no levantamento
A pesquisa também trouxe um recorte especial sobre Campina Grande, cidade reconhecida nacionalmente por realizar O Maior São João do Mundo.
Segundo os organizadores, o município se consolidou como uma das principais referências do movimento junino brasileiro, reunindo grupos tradicionais, festivais competitivos e uma forte rede de produção cultural.
Nesse contexto, o estudo conclui que as quadrilhas juninas continuam exercendo papel fundamental na preservação da cultura popular. Ao mesmo tempo, fortalecem processos de inclusão social, geração de renda e valorização da diversidade, com destaque para o protagonismo feminino e da comunidade LGBTQIAPN+ na construção desse patrimônio cultural brasileiro.
